DIA 1 - 18/04/15
Sempre me imaginei fazendo uma longa viagem de moto, principalmente internacional, acredito que este seja também o sonho de muitos outros motociclistas. Depois de muito pensar sobre o destino e período a fazer esta trip, escolhi o destino, que seria Montevidéu, no Uruguai. Iniciei então um trabalho de pesquisa para identificar melhores rotas e pontos a conhecer, bem como o que levar e como levar. Esta viagem foi escolhida devido a pouca distância (previsto em 2 mil km entre ida e volta) e pouco tempo disponível (apenas 4 dias, aproveitando o feriado de Tiradentes).
A princípio eu faria esta viagem sozinho, mas quase no final da prorrogação convenci o amigo Gustavo Grings a integrar esta trip, então analisamos o roteiro e definimos nosso percurso. Na bagagem, somente o que consideramos ser essencial, mas depois pudemos observar que neste essencial tinha muita coisa desnecessária. Nossa saída foi estabelecida para as 5:30 do dia 18/04, retornando em 21/04.
Na véspera tentamos recrutar o Leandro Marques, mas devido a algumas questões pessoais e até porque decidimos em cima da hora, ele não pôde nos acompanhar.
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| Da esquerda para a direita: eu, Gustavo Grings e Leandro Marques |
Roteiro de IDA Previsto: Porto Alegre até a entrada de Pelotas pela BR-116, seguindo pela BR-392 até próximo de Rio Grande e finalmente pela BR-471 via Santa Vitória do Palmar (conhecendo a Reserva Ecológica do Taim), até o Chuí, fronteira com o Uruguai. No Chuy/UY seguiríamos pela Ruta 9 até Montevidéu, passando pela cidade de Rocha, totalizando aproximadamente 860 km, os quais tínhamos a intenção de percorrer já no primeiro dia, pernoitando em Montevidéu.
Saímos de Porto Alegre próximo das 6:00, prevendo paradas a cada 150km pra esticar as pernas e abastecer, independente da quantidade de gasolina no tanque. Isto porque estávamos com motos completamente diferentes, sendo eu com uma Kawasaki ER-6N (naked) e o Grings com uma Harley Davidson Fat Bob, além claro, de fazer algumas experiências para termos base para uma trip bem maior no final do ano, algo que será entre 10 e 15 mil km.
Nossa primeira parada foi em São Lourenço do Sul/RS, aproximadamente 200km, para abastecer e tomar um café da manhã. Seguimos pela rota prevista, passando pelo Taim, rumo a Santa Vitória do Palmar. Nosso primeiro erro, não seguir as paradas programadas, sendo que deveríamos ter abastecido em um posto na entrada da BR 471. De São Lourenço ao primeiro posto na BR 471 foram mais de 230 km, já com o tanque na reserva. A passagem pelo Taim foi espetacular, lugar lindo demais, muita natureza e infelizmente muitas capivaras mortas por atropelamento. A velocidade máxima nos 25 km de estrada cortando o Taim é de 60 km/h, sendo que deve-se ter muita atenção pois um acidente de moto neste trecho certamente não será agradável pois tudo fica muito longe e sem muita comunicação.


Mais alguns km à frente chegamos na cidade de Santa Vitória do Palmar, região de muitos ventos e parques eólicos. Cidade pequena com casas antigas e preservadas, vale a pena seguir pela rua principal até a praça central e retornar. Optamos por não nos desviar da rota, mas acredito que uma excelente opção seja visitar o parque eólico, que fica à esquerda na BR, rumo ao Chuy.

Seguimos mais alguns km e chegamos ao Chuy, onde preferimos abastecer no lado brasileiro, pois a gasolina no Uruguai é bem mais cara, algo em torno de 40 pesos, cerca de R$ 5,00 o litro. Nesta época a cotação estava de 8 pesos para cada 1 real, sendo que o ideal é procurar alguma casa de câmbio oficial, não perca tempo em procurar por fora, porque não vale a pena, prefira sempre as casas oficiais. Chuy é uma cidade bem pequena, com uma grande avenida principal com diversas lojas, se tiver algum tempo vale a pena uma rápida explorada. Fizemos câmbio e almoçamos em um excelente restaurante por kilo, já ansiosos por atravessar a fronteira.
A uns 2 km da cidade, rumo ao Uruguai, parada obrigatória na Aduana Uruguaia para identificação e verificação dos documentos. Tenha em mãos: 1) Carteira de Identidade (com no máximo 10 anos contando da data de emissão) ou Passaporte válido; 2) Carta Verde expedida por alguma seguradora (fiz a minha pela HDI Seguros, para 4 dias, por R$ 95,00); 3) Documento do veículo. Lembrando que todos os passageiros devem identificar-se para entrar no país. Caso seu veículo esteja alienado a alguma financeira, porém em seu nome, não é necessário nenhuma autorização da mesma. A autorização para o veículo sair do país é obrigatório apenas se o veículo estiver financiado por leasing ou não estiver no seu nome. Consulte o consulado uruguaio para maiores informações.
Dica: Nossa carteira de habilitação não é válida como documento de identificação.
Dependendo do dia, prepare-se para enfrentar a fila. Caso vá de passaporte, os trâmites são mais rápidos, bastando carimbar a entrada e passar na verificação dos documentos, já com o veículo. Se optar por carteira de identidade é necessário preencher um documento de entrada que precisa ser devolvido na saída.
Depois de ficar mais de 40 minutos na Aduana, e pelo menos mais 1h30m no Chuy, seguimos pela Ruta 9 até Rocha (+- 130 km), por belíssimas estradas. Os motoristas uruguaios são muito educados no trânsito, sempre cedendo passagem quando possível e avistam os motociclistas de longe. Não vi muitas motos na estrada, exceto de alguns poucos locais, próximos às cidades. Alguns pontos devem ser observados durante sua viagem pelo Uruguai: 1) Obrigatório uso de colete reflexivo para piloto e garupa, adquira o seu antes. Viajamos o tempo todo sem, pois não sabíamos, ao mesmo tempo que demos sorte de não ter sido parados. 2) Os pedágios são liberados para as motos.
Paramos em Rocha para abastecimento e hidratação em um posto Esso no trevo principal de acesso a cidade. Neste trevo pode-se acessar a cidade ou seguir pela Ruta 15 à esquerda até a praia de La Paloma, pertencente ao município de Rocha. Como estávamos bastante atrasados, deixamos para visitar este praia no retorno.
Saímos de Rocha rumo a nossa última parada, Montevidéu, por mais aproximadamente 200 km. O sol ia se pondo aos poucos, já dificultando um pouco a visão na estrada pois refletia diretamente sob nossas viseiras, de frente. No município de Maldonado, ainda pela Ruta 9, próximo a entrada para Piriápolis (entrada do morro da cruz), paramos para algumas fotos:
A Ruta 9 é bem extensa, fomos até o final dela, quando entronca com a Ruta 8, a qual seguimos até Montevidéu. Já na Ruta 8, passamos pela região metropolitana de Montevidéu, algo parecido com Canoas/Esteio/Sapucaia/NH, no RS.
Chegamos em Montevidéu às 19:00, já nos deslocando para o centro da cidade para buscar um hotel, pois optamos por não reservar antecipadamente. Depois de algumas buscas, encontramos o Hotel Embajador na rua San Jose, paralela a avenida principal da cidade, 18 de Julio. Descarregamos as bagagens, um bom banho para quebrar o ritmo da estrada e comemos um excelente entrecot com uma cerveja bem gelada em um restaurante na mesma rua, o qual não me lembro o nome, mas com excelente custo-benefício. Lembro que na entrada desta casa tinha uma placa de madeira tipo estas placas de tabernas, praticamente ao lado do estacionamento do hotel, seguindo um pouco mais a frente, pela mesma rua.
Hora de dormir um pouco porque o próximo dia promete.
Continua....